Me falaram que sou invisível e ainda disseram que há vantagem nisso.

Faz tempo que não te escrevo mais, não consigo nem lembrar como eu iniciava as cartas que eu lhe mandei, se eu dizia boa noite ou se já ia direto ao assunto, se eu dizia detalhadamente o que aconteceu de fato ou se já desmoronava tudo, não consigo lembrar, faz tanto tempo.

Na verdade, eu nem sei porque estou aqui nessa hora da noite para te escrever, para ser sincero, quis conversar com alguém, não me sentir tão invisível o tempo todo, me fazer lembrar que eu não quero entender todo mundo e aceitar isso comigo, para eu lembrar que eu ainda não morri e que tenho minha própria vida para viver e que há a possibilidade das pessoas também me entenderem e levar isso consigo mesmas, porque ao mesmo tempo que eu e você somos diferentes, somos exatamente iguais, sofremos das mesmas dores, temos as mesmas aflições, sentimos penas do mesmo amor, temos medo da própria espécie.

Eu quero te dizer que faz tempo que eu cresci, só que não tinha percebido até o então. Vai chover lá fora daqui a uns 14 minutos e eu não sinto vontade de chorar, nem daquela sensação de me jogar na cama e me sentir triste até dormir, acordar no meio da noite e voltar a dormir. Talvez o problema desse tempo todo foi admitir, admitir que algum dia vamos todos morrer e que não tenhamos feito tudo aquilo que queríamos, aquela velha história do carpe diem ao contrário, do não viver, da mesmice. Admitir que gostamos de rosa, admitir que eu não sou melhor que o Bon Jovi, admitir que meu colega de trabalho é melhor nessa função do que eu, admitir que eu gosto de alguém, admitir que não serei um bom amigo para sempre. E se for parar para pensar, se deixarmos nos admitir é bem mais fácil, sem crise alguma, sem problema para levar na cama antes de dormir, admitir que somos todos iguais independente se eu sou homem ou mulher e que gosta de pudim com pizza, na verdade, criamos tantos problemas para tentarmos resolver que esquecemos que podemos juntar soluções e assim viver. Nada dessa vida importa, admita isso.

Ah! e se for para mudar o título dessa história, com certeza seria as desvantagens de ser invisível

Com amor, Charlie.

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