Categoria: dialogos talvez

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– Eu nunca soube começar uma conversa séria.

– Vamos, diga.

– Uau, quando pensei que finalmente poderia falar das coisas que me incomodam com qualquer outra pessoa vejo que nada mudou, ainda tenho medo de dizer meus sentimentos, são tolos demais.

(Suspiro)

– Sabia que eu odeio o modo que você fala de si mesmo?

– O que você quer que eu diga então? Já passou o tempo em que eu tinha qualidades e que elas valiam alguma coisa. Agora sou assim, todo pessimista.

– Não deveria pensar assim.

– Não, porém penso, sou meu pior inimigo, você sabe disso.

– O que te faz pensar assim hein? Alguma coisa que te fizeram? Algum trauma de infância?

– Ah, deve ser alguma coisa na infância que não consigo lembrar… Deve ser isso mesmo.

– Olhe para mim… – Não, não foi alguma coisa de infância, eu te conheço.

– Bom, se me conhece não precisa se fazer de sonso.

– Eu? Sonso?

– Sim, e sínico também.

(Maldito silêncio)

– Eu te machuquei não foi?

– Se não fosse você poderia ser outra pessoa.

– Eu disse que não seria capaz de fazer isso.

– Não te culpo.

– Isso não quer dizer que a culpa não seja minha.

– Então porque continua aqui? Não precisa responder, até eu me afastaria se soubesse da merda que sou, mas não, acho que essa foi o preço que tive que pagar para aprender a lição. Agora estou selado em mim mesmo, e sou o único que posso ver como realmente sou.

– Me desculpe.

– Não, não precisa se desculpar.

– Não fale que não precisa. Reconheço o que eu fiz com você. Fui um idiota, eu sei.

– Idiota sou eu. Sempre vou à procura do que é errado. Essa foi à forma de ver o quão negativo eu sou.

– Não diga isso, e, por favor, não chore, você é mais que isso.

– Posso ficar sozinho um instante?

-Não, eu não posso fazer isso. Você não precisa se afastar das pessoas quando está com coisa na cabeça.

– Então fique. Preciso de alguém que fique não que saia e não tem hora para voltar. Odeio esperar.

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